quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Saudades

Ligo a televisão,
ando a esmo pela casa.
Vou à rua,
olho vitrines.
Converso coisas banais,
escuto alguma canção.
Fecho os olhos
na esperança de não pensar em ti.
No teu olhar,
no teu toque.
Teu beijo.
Escuto sons que não são tocados,
Vejo palavras que não são escritas,
Desejo uma presença que agora
é ausência.
Saudades sufocam,
uma vontade de ter o que não se pode ter...
Fecho os olhos e só vejo você...


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O principe e a bruxa

O príncipe perturbado

Caminha por entre todos,

Sorriso largo, andar altivo.

É desejado.

Sabe de seu efeito

Seduz com palavras

Encanta com gestos.

Quem o vê passar

Acha que seu coração é frio

Máquina, cruel.

Destrói sonhos e corações por onde vai.

Mas sozinho,

Quando não há mais público,

Coloca a mão em seu peito

E o sente sangrar...

O príncipe pertubado

Do coração destroçado

Se faz de tirano

Para não mostrar a dor que carrega em si.

Mostra-se corajoso

Grande guerreiro, campeão de mil batalhas

Mas é um covarde

Teme o silêncio,

Teme a solidão.

Enfrenta a multidão e a domina como ninguém.

E é incapaz de lidar consigo mesmo, quando só.

Fechou-se em si,

Isolou os demais.

Construiu um castelo em torno de si.

O príncipe pertubado só não contava

Com a pobre bruxa de coração partido.

Feiticeira do sorriso quebrado.

E o príncipe, antes tão certo do seu poder

Viu que poderia perder seu reinado.

Corre, se esconde.

Parto mil corações,

Só não me deixe próximo desse sorriso

E desse cheiro do diabo.

Príncipe tolo, não sabe que não preciso

Invadir teu castelo para derrubá-lo?

Teu medo não te protege do meu sorriso.

Podes correr, podes fugir.

Mas já estou gravada em tua memória.

Principe pertubado,

Nada mais és que um menino,

Tolo, apaixonado e de coração destroçado.

Deixa-me entrar,

Deixa-me enfeitiçar.

Deixa-me curar.

E o principe refugiou-se em suas velhas concubinas.

Suas amantes que nada lhe pedem e tudo lhe confiam.

Mas cada vez que fecha os olhos,

Cada vez que fica sozinho,

Lembra daquele beijo doce

Aquele cheiro de flor,

E sabe que suas muralhas,

Pouco a pouco estão sendo minadas.

Foge, principe tolo.

Onde quer que você vá,

Você leva teu coração,

E eu, ali já fiz morada.

Apaixonei.
E fiz do meu mundo o mundo dele.
Uni-me, fiz de mim parte de quem ele era.

Chorei.
Quando vi ele jogar meu mundo fora.
Percebi que ele era único e eu, nada.

Sofri.
Percebi que errei quando quis ser um só.
Recolhi meus pedaços e me fechei.

Segui.
Sem olhar para os lados, não querendo ver ninguém.
Senti medo do que pudesse vir.

Fechei.
As portas do meu coração.
Temi que ele pudesse se partir.

Encontrei.
Alguém com as mesmas feridas que eu.
Deixei se aproximar de mim.

Gostei.
Teu sorriso franco, teu peito largo.
Aninhei minha cabeça e voltei a sorrir.

Chorei.
Meus medos, teus medos voltaram como fantasmas.
Corri para longe, e quando quis voltar não encontrei-te ali.

Fechei.
Meu coração e meu abraço.
Recolhi os pedaços e resolvi seguir adiante, sem olhar para trás.

A menina

Olha lá, a menina sonhadora.
O que será que ela está pensando?

Olha lá, seu olhar perdido,
seu sorriso meio bobo.

Olha lá, o que será que ela carrega?
Algo vivo, pulsante.

E a menina entrega seu presente ao menino.
Cuidado menino, isso pode quebrar...

*estalos*

Olha lá, a menina chorosa.
O que será que aconteceu?

Olha lá, o olhar continua perdido,
mas o sorriso desapareceu.

Olha lá, o que será que ela carrega?
São pedaços, não mais pulsantes...

Partiu-se, quebrou-se...
Era uma vez eu.
Meio menina, meio mulher.
Um tanto quanto insana,
procurando um lugar para se esconder.

Era uma vez você.
Meio homem, meio menino.
Totalmente perdido,
procurando um lugar para se esconder.

Te emprestei meu colo,
meu sorriso. Te emprestei minha boca.
Deixei você se esconder em mim.

Você me emprestou teu peito,
Me aninhou nos teus braços,
Deixou eu me esconder em ti.

Se meu abrigo parecia seguro de início,
tornou-se hostil com o tempo.
Se teu abrigo me era confortável,
tornou-se insustentável com o tempo.

E assim, refugiei-me no silêncio da minha solidão.

domingo, 31 de julho de 2011

Paixão

Eu queria saber quando foi que eu me tornei tão medrosa. Tão cética. Incapaz de sentir as coisas.
Queria saber como me tornei aquilo que sempre temi.
Quem foi que me fez tão triste e tão amarga?
O que me assusta, é que eu mesma fiz isso. Talvez eu tenha sempre sido.
Guardei tanto amor dentro de mim e quando o dei, dei a pessoa errada.
E hoje, eu não guardo, eu não sinto, eu fujo.
Faz sentido? Talvez não. Não acho que faça.
Eu queria amar de novo. Mas dessa vez, eu queria ser amada.
Cansada de perder tempo tentando compreender pessoas. Ninguém tenta me compreender.
Cansada dos dedos apontados julgando minhas ações. Talvez eles nem existam, talvez estejam só na minha cabeça.
É um dilema, querer amar de novo, querer finalmente ser amada, mas ter medo. E só procurar isso em quem não pode me dar.
A verdade é que mesmo que você queira, não pode. E eu já sabia disso.
Você deu a tantas que não mereciam, e agora, que finalmente nos encontramos, vc me nega.
Assim como eu, deu tudo a pessoas erradas.
Não devo ser a certa, nem você deve ser. Pois se fosse, seria mais fácil.
E com isso, só vou reforçando a ideia de que não nasci pra ter isso. Que eu realmente não preciso disso e que estou melhor sozinha.


Quando palavras não são suficientes

E eu realmente tenho uma necessidade de falar. Preciso disso, não consigo ficar com tantos pensamentos trancados na minha cabeça. Eles precisam ser verbalizados, lidos, ouvidos, mesmo que ignorados.
Odeio quando sinto que nada ao redor funciona. Que não tem nada realmente valendo a pena e que estou falhando em tudo o que eu faço. Exageros a parte, eu tenho me esforçado pra mudar. Ser mais sensata, mais comedida, mais racional....Mas em dias como esse, em que eu acordo com dor no corpo, com dor de cabeça e com uma vontade imensa de chorar, eu não consigo.
Um sufoco, uma vontade de gritar, vontade de fazer a louca e chorar compulsivamente, chorar por algo que não existe, por algo que ainda virá, por tudo que não foi.
Vontade de deitar. Entrar num buraco e lá ficar.
E a música mais perfeita para mim continua sendo a minha oração diária.
Proteja-me, proteja-me do que eu quero, pq invariavelmente me faz mal.